Aventura – Parte 5 (Final)

 

Dejavu. Aquilo já tinha acontecido antes. Preston entrou para a lista dos caras que desaparecem no dia seguinte. “Como você pode ser tão tola,Nicole?” – eu repetia para mim mesma em voz alta enquanto vasculhava todo o apartamento em busca de algum rastro dele. A frase “Talvez ele tenha ido comprar um café da manhã” fugiu dos meus pensamentos ao ver que o guarda-roupa dele estava praticamente vazio, exceto pelos vidros quase vazios de gel para cabelo, um pente, um tênis, um óculos de sol e outra camisa social de linho, igual a que eu tinha passado aquela noite. Sentei na cama, apoie meu rosto nas minhas mãos e chorei. Prestontinha ido embora. Simplesmente pego suas coisas e ido embora, sem nem ao menos se importar comigo. E todo aquele dia que passamos juntos, esse era o fim da nossa aventura? Depois de ficar alguns minutos chorando e me culpando por ter acreditado nele, levantei meus olhos e olhando novamente para aquele quarto que ainda tinha o cheiro dele no ar, tive uma ideia. Fui até seu guarda-roupa novamente e abri a gaveta aonde ele tinha guardado a misteriosa carta na noite passada. E lá estava ela. Mas dessa vez, um papel branco a acompanhava. Deixei-o de lado e abri primeiro a carta cor-de-rosa vendo novamente aquela linda caligrafia. Era uma carta bem triste feita pela mãe de Preston. Ela queria que o filho viajasse o quanto antes para Dallas, no Texas, para ajudar a família nas despesas com os cuidados médicos de seu irmão Fred, que tinha sofrido um sério acidente de carro. As passagens aéreas de Preston já estavam compradas e marcadas para aquela manhã, no aeroporto central de Nova York. Quando terminei de ler eu estava pasma. Ele tinha mesmo um assunto sério de família para resolver. E então eu peguei o papel branco e o desdobrei vendo uma caligrafia bem menos caprichada do que da primeira carta.

“Querida Nick – era um bilhete de Preston – desculpe por não estar do seu lado quando você acordou. E desculpe por eu não ter te contado nada, mas espero que depois de ter lido a carta da minha mãe, você tenha entendido o motivo da minha partida. É, eu sabia que você iria ler ela depois de notar que eu tinha sumido, então deixei esse bilhete junto para tentar me desculpar, mas tenho certeza de que não será suficiente. Me perdoe, Nick. Você foi a garota mais incrível que eu já conheci e eu espero poder te ver novamente algum dia. Espero que entenda. Com amor,Preston” – e mais lágrimas escorreram pelo meu rosto. Preston não tinha me abandonado, ele sentia algo forte por mim, mas teve que partir por motivos maiores. Sequei minhas lágrimas, troquei de roupa, peguei minha bolsa e peguei um táxi até em casa para poder pegar meu carro e ir direto para o aeroporto central. O vôo dele sairia as 11 horas e o relógio já mostrava 9:30 da manhã. Eu tinha que ser rápida. Eu tinha que ver Preston.

Eu dirigia tão rápido que quase não conseguia freiar nos sinais vermelhos, e quando eles ficavam verdes eu era a primeira da enorme fila de carros, a pisar no acelerador. Depois de meia hora dirigindo em alta velocidade e quase sendo multada, cheguei ao aeroporto. Desliguei o carro, peguei minha bolsa, fechei a porta e segui rapidamente para a entrada do aeroporto. As portas de vidro automáticas se abriram quando eu me aproximei, e eu me deparei com o hall lotado, com pessoas de várias nacionalidades e etnias andando para lá e para cá, empurrando carrinhos cheios de malas. Seria difícil encontrar Preston no meio de tanta gente.

Minutos depois, o grande relógio do aeroporto mostrava 10:20 e o vôo de Preston sairia em 40 minutos. Me apressei pedindo informações para os comissários de bordo que estavam próximos, mas nenhum deles soube me informar aonde era o portão de embarque em que Preston estaria. Eu andava rapidamente por vários corredores cobertos de gente por todos os lados, procurando o rosto dele, ou até mesmo sentir o delicioso cheiro do seu perfume, mas nada. Preston não estava em parte alguma. Eu comecei a perder as esperanças.

– Senhores passageiros com destino à Dallas no Texas, favor se dirigirem ao portão 8 para o embarque – disse uma voz feminina pelos auto-falantes do aeroporto – Repetindo: senhores passageiros com destino à Dallas, favor se dirigirem ao portão 8. Obrigada.

Era o vôo de Preston, o meu tempo estava acabando. Saí correndo desesperada, trombando nas pessoas e nas malas que cruzavam a minha frente. Corria rápido, ficando ofegante.

– Portão 5… portão 6…– eu falava enquanto passava por eles – portão 7… portão 8. É esse.

Parei diante ao portão de embarque e eu o vi. Lindo como sempre. Charmoso como sempre. Preston, sentado em um dos bancos de espera, com uma expressão triste no rosto.

– Preston! – eu gritei e ele olhou rapidamente para o lugar da onde vinha minha voz.

Eu saí correndo novamente, dessa vez em direção à ele. Aos braços dele.

– Oh meu Deus! Nick! – ele disse me abraçando apertado – O que você faz aqui? Eu pensei que…

E então eu lhe lasquei um beijo. Mais um daqueles beijos intensos, em que fazia a gente esquecer de tudo por uns segundos. Ele retribuiu com tamanha vontade, cruzando os braços em volta da minha cintura e me levantando um pouco do chão.

– Preston! – eu disse chorando – Eu te amo.

Ele sorriu e seus olhos pareceram ficar mais profundos ao se encontrarem com os meus.

– Eu também te amo! – ele falou enquanto enxugava minhas lágrimas – Nick…

Ele segurou minhas mãos.

– Venha comigo? – ele disse rapidamente – Vamos para Dallas comigo, a viagem só vai durar um mês. E depois a gente volta para Nova York.

– Mas… eu pensei que você não quisesse que eu fosse. Se não, você não teria ido embora sem dizer nada.

– Eu sei, eu sei – ele disse balançando a cabeça – eu fui um idiota. Pensei que aguentaria a barra sozinho, mas Nick… não estaria certo se eu não te levasse comigo. Eu quero que você faça parte da minha vida!

Meus olhos se encheram de lágrimas.

– Mas como vamos comprar uma passagem para mim? – eu disse preocupada.

– O vôo vai sair dentro de dez minutos – eu disse consultando o relógio.

– Atenção! – era a voz feminina novamente – Senhores passageiros com destino à Dallas, o vôo está atrasado e os senhores só poderão embarcar às 6 horas da tarde. Repetindo….

– Você ouviu isso, Nick? – disse Preston animado – Parece que estamos com sorte! Venha, vamos comprar a sua passagem. Mas, espera aí! Você não está levando nenhuma roupa. Vamos até sua casa preparar sua mala.

– Ok! – eu falei – E que tal almoçarmos num restaurante?

– Isso me parece ótimo! Eu te amo, Nick! – ele sorriu.

E nós saímos de mãos dadas indo primeiro comprar as passagens.

Horas depois eu e Preston já estávamos decolando, de baixo de um lindo pôr-do-Sol.

– Isso é lindo, não é? – eu disse olhando pela janela do avião.

– Não tão lindo quanto você! – ele respondeu fazendo eu corar.

– Às vezes isso parece loucura…. – eu falei.

– O quê?

– A gente se conheceu ontem e hoje já estamos viajando juntos…

– Está arrependida? – ele perguntou.

– Não! – eu respondi acariciando seu rosto – Eu não me sentia assim faz muito tempo. E você é diferente de todos os outros.

– Eu só quero te fazer feliz, Nick – ele disse se aproximando mais de mim – até aonde o destino nos levar.

E a gente se beijou iluminados pelos fracos raios daquele por-do-Sol. E ao que parecia antes ser o fim da nossa pequena história, só era mais um degrau que a gente subia. Subia em direção ao desconhecido, emdireção ao amor, em direção ao Céu. Em direção ao começo de uma nova Aventura.

Fonte SONHOS-DE-CABECEIRA
Créditos ao INTERNATIONAL OBSESSION
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