Aventura – Parte 4

 

Preston dirigia a sua moto vermelha com o mesmo estilo em que empurrava sua bicicleta naquela manhã. Mesmo que estivesse com o corpo dolorido por ter bancando o herói da noite, ele continuava mantendo seu jeito despojado e charmoso. E mesmo com a boca vermelha e roxa causada pelo soco de Jhon, ele continuava lindo. Lindo por dentro e por fora. Quando chegamos ao seu pequeno apartamento, pensei que iria me deparar com um lugar bagunçado e com roupas espalhadas por todos os cantos, mas me surpreendi ao ver que estava tudo arrumado. Apesar de ele morar num lugar pequeno com uma cozinha, uma suíte e uma sala, era um lar aconchegante e convidativo. O relógio mostrava que já era 1 hora da manhã e nós estávamos famintos. Em meio a tanta confusão na balada, não deu tempo nem sequer de beber o Martini.

– Aceita um vinho? – ele me ofereceu já pegando duas taças.

– Estamos de barriga vazia – eu hesitei – é melhor não.

– E você acha mesmo que eu vou te oferecer só vinho, Nick? – ele disse rindo.

– Você é a minha convidada de honra. E eu faço questão de cozinhar pra você.

– Ah – eu disse surpresa – você cozinha? Puxa… a cada minuto você me impressiona mais. Mas antes, deixe-me dar um jeito nessa sua boca machucada.

Eu limpei os pequenos pingos de sangue que haviam secado, e passei uma pomada para desinchar. Depois de alguns minutos, Preston fez uma deliciosa lasanha, nós comemos, bebemos muito vinho e em seguida fomos para o seu quarto, exaustos.

A luz estava apagada, mas mesmo assim o quarto estava claro. Claro com a luz do luar entrando pela janela. Preston chegou perto de mim agradecendo por aquele dia maravilhoso e me beijou. E então eu abri os botões da sua camisa social de linho e passei a mão na sua barriga, sentindo sua pele quente aquecer meus dedos frios. Arranhava as suas costas e as massageava de vez em quando. Eu ia tirar sua camisa por completo, quando um papel que estava em seu bolso interno caiu ao chão. Eu olhei para baixo e vi que aquele papel rosa claro dobrado cuidadosamente parecia uma carta, escrita a punho e com uma caligrafia caprichada.

-Isso é uma carta? – perguntei enquanto Preston a recolhia rapidamente guardando-a agora na gaveta de seu guarda roupa.

– Sim – ele respondeu sem jeito – é uma carta. Mas deixa pra lá!

– Nossa – eu ri – por acaso é a carta de uma admiradora secreta?

– Já disse que não interessa, Nick! – ele falou agora em um tom alto.

Fiquei olhando para ele confusa. Às vezes, a gente parecia um casal apaixonado que se conhecia à anos, mas nas outras vezes, eu lembrava do quanto a gente não se conhecia. Eu não conhecia seus medos, suas manias, seus sonhos, seus defeitos. Mas de alguma forma, algo dentro do meu coração que palpitava rapidamente toda vez que ele me olhava e me beijava, queria algo a mais. Queria fazer parte da vida dele.

– Me desculpe por ser tão intrometida – eu falei olhando para baixo – às vezes eu queria ter te conhecido faz tempo. Queria já estar a anos com você… queria te conhecer. Mas você ainda parece tão indecifrável pra mim.

Preston ficou com uma expressão preocupada no rosto.

– Olha Nick – disse calmamente – me desculpe por ter falado daquele jeito. É que essa carta…. – ele hesitou – essa carta é um assunto de família muito importante. Não que eu não confie em você o suficiente para contar, mas…

– Não – eu o interrompi – agora eu é que peço desculpas. Eu não sabia que era algo sério, e eu entendo se não quiser me contar.

– Nick – ele disse colocando as mãos em minha nuca – você é a mulher mais incrível que eu já conheci.

E sorriu como se tivesse me agradecendo por não forçá-lo mais a tocar naquele assunto. Em seguida, nós nos deitamos em sua cama, de baixo dos lençóis e ficamos alguns minutos sem dizer nada.

– Preston? – eu quebrei o silencio – Eu quero te dizer uma coisa…

Ele se virou na cama e ficou me olhando atentamente.

– Sabe… – eu comecei – hoje de manhã quando eu saí de casa, eu queria só sair da minha rotina. Queria uma aventura. Mas aí, quando eu te olhei pela primeira vez, empurrando aquela bicicleta, todo charmoso – ele riu encabulado – eu senti algo diferente…

– Algo como borboletas no estômago? A respiração pareceu parar? O coração bateu rapidamente? O mundo todo parou? – Preston disse me olhando.

– Sim – eu disse extasiada com as palavras dele – tudo isso ao mesmo tempo. E então, o que era pra ser apenas uma aventura, depois que a gente se beijou – eu sorri timidamente – eu me apaixonei por você.

Ele continuou me olhando. Dessa vez me olhou profundamente, tão profundamente que era como se tivesse tentando ver minha alma.

– Eu não sei o que dizer, Nick – ele disse.

– E não precisa – eu sussurei – eu sei que você sente o mesmo.

E então eu me apoiei com o cotovelo na cama, meus cabelos caíram sobre o rosto de Preston e ele os colocou atrás da minha orelha. A gente ficou se olhando por mais alguns minutos, até que ele pegou na minha nuca e puxou meu rosto para mais perto do dele. E me beijou. Me beijou como da primeira vez, aonde esquecemos que havia um mundo lá fora além da gente , esquecemos dos nossos problemas, esquecemos dos outros, esquecemos de tudo. Naquela hora, um turbilhão de pensamentos me atingiu. Eu estava confusa com o jeito em que eu estava me sentindo, fazia apenas horas desde quando eu tinha conhecido Preston, mas parecia que a gente já se conhecia fazia anos. A gente se dava tão bem e ele me transmitia confiança.

– Aconteça o que acontecer, Nick – ele disse – eu nunca vou me esquecer de você.

Eu sorri. Preston beijava meu pescoço e mordia minha orelha, suas mãos macias passavam sobre todo o meu corpo com delicadeza, carinho e respeito. Aquela noite com certeza estaria se eternizando nas nossas vidas. E eu nunca me esqueceria daquele dia em que eu tinha conhecido um cara incrível, que fez eu me sentir viva novamente. Que fez eu poder ser eu mesma.

Naquela noite eu tive um sonho estranho. Um sonho em flashs. Era como se eu tivesse vendo de longe as cenas daquele dia, aonde Preston empurrava sua bicicleta, em seguida eu via ele me beijando, depois vi a mão de Jhon segurando o Martini, os dois brigando no meio da pista de dança, Preston fazendo o jantar e a carta. A carta da família que ele preferiu não me mostrar. Acordei um pouco assustada e atordoada por causa daquele sonho, e com frio por ter dormido só com a camisa social de Preston. O quarto já estava bastante iluminado, mas dessa vez não era pela lua, e sim pelo Sol brilhante daquela manhã. Ainda de olhos fechados, me virei e tateei o lado direito da cama à procura de Preston, mas não havia ninguém ali. Me levantei chamando pelo seu nome, mas ele não respondeu. Procurei no banheiro, depois na sala e na cozinha. Nada. “Preston foi embora. Foi embora.” – foi a única coisa que consegui desesperadamente pensar naquele momento.

Fonte SONHOS-DE-CABECEIRA
Créditos ao INTERNATIONAL OBSESSION
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